Se soubermos o que procurar, o corpo humano pode fornecer pistas sobre possíveis doenças cardiovasculares.

Pode parecer pouco provável e até engraçado, mas numerosos estudos científicos ao longo das últimas décadas têm vindo a examinar a relação entre certas características físicas e o aumento do risco de doenças cardiovasculares. Dois dos exemplos mais comuns são os vincos nos lóbulos das orelhas, e os dedos hipocráticos.
O fenómeno de dedos ou unhas hipocráticos é uma exemplo de uma característica física que denuncia possíveis doenças cardiovasculares. Os dedos hipocráticos são uma deformidade dos dedos e unhas, que é conhecida há milhares de anos. Ao contrário de outras características esta deformidade é amplamente reconhecida pela comunidade médica como um possível sinal de uma gama variada de doenças graves. Isto não quer dizer que se tiver dedos hipocráticos vá cair para o lado morto. Pode ser somente algo hereditário sem consequências para a saúde. Os dedos hipocráticos são um espessamento da pele que se encontra sob as unhas causando uma curvatura da unha para baixo semelhante a uma colher invertida. É mais frequente em pessoas que sofrem de doenças cardiovasculares ou doenças dos pulmões. Se tiver dedos hipocráticos consulte o seu médico para eliminar a possibilidade de doenças cardiovasculares ou outras doenças graves.

Existem mais sinais mais invulgares que ainda não fazem parte dos exames médicos de rotina e que podem apontar para possíveis doenças cardiovasculares.

Outros sinais físicos são apontados por estudos diversos como indicadores de problemas de saúde. Umas pernas longas não são só consideradas atraentes pelos homens, os médicos de ambos os sexos também as preferem. Pesquisadores britânicos estabeleceram uma relação entre o comprimento das pernas de uma mulher e seu risco de desenvolver doenças cardiovasculares.  Entre as 4.000 participantes, as com as pernas mais curtas tinham um risco maior de vir a desenvolver doenças cardiovasculares.  Para cada quatro centímetros acima de um determinado comprimento, o risco diminuiu 16 por cento.  O comprimento de perna continuou a ser um forte indicador de risco, mesmo depois das mais tradicionais causas de doenças do cardiovasculares, como colesterol alto, peso, idade, tabagismo serem contabilizadas. Parece que afinal o tamanho interessa, pelo menos quando se está a falar das mãos. De acordo com outra pesquisa britânica homens com o dedo anelar mais curto ou do mesmo tamanho que o indicador apresentavam níveis mais baixos de Testosterona, o que aumenta o risco de enfarte. Muito mais havia a dizer sobre o que nos revelam as mãos mas terá que ficar para outra oportunidade. “É dos carecas que elas gostam mais”, diz a canção mas o coração não acha muita piada. De acordo com um estudo que envolveu mais de 22.000 médicos masculinos, ao longo de 11 anos, pesquisadores descobriram que os participantes com a calvície frontal tinham quase 10 por cento mais probabilidade de desenvolver uma doença cardiovascular do que os não-carecas. Enquanto os indivíduos com uma maior perda de cabelo no topo da cabeça tinham 23 a 40 por cento mais probabilidades de desenvolver uma doença cardiovascular.

Um estudo mais recente confirmou que a calvície é um possível indicador de risco para doenças cardiovasculares mas concluiu que a perda de cabelo, por si só, não é um indicador confiável.

A retinopatia é um termo genérico para vários tipos de lesões na retina, frequentemente associado aos diabéticos.  Se não é diabético e sofre de retinopatia tem 33 % mais probabilidade de vir a sofrer de uma doença cardiovascular.
Outro estudo recentemente publicado sugere que há uma ligação entre doenças cardiovasculares e muco esverdeado.  A descoloração é causada por uma enzima do organismo chamada mieloperoxidase. Esta enzima combate as bactérias, através da produção de um ácido que não só mata as bactérias mas também pode danificar tecidos e causando artrite, asma e o espessamento das artérias.
O mau hálito, especificamente o mau hálito devido à periodontite também pode provocar doenças cardiovasculares. Estudos confirmam que pessoas que sofrem de doenças das gengivas têm entre 50 e 100 % maior probabilidade de contrair uma doença cardiovascular. É realmente uma lista extensa de características das quais normalmente não damos importância ou que depois de apontadas não podemos mudar. É sempre interessante saber destas coisas para podermos estar atentos, ou ao menos para ter algo interessante para dizer no próximo jantar entre amigos. Entretanto vá fazendo uma alimentação amiga do coração, faça exercício diário nem que seja 10 minutos, perca esses quilinhos a mais e deixe de fumar. Isso sim é realmente importante para uma boa saúde em geral e evitar as doenças cardiovasculares.
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